Videodrome (1983)

videodrome

Videodrome é talvez o filme mais estranho e brilhante que eu já tenha visto. Dirigido em 1983 por David Cronenberg, o longa relata a história de Max Renn (James Woods), um dos sócio-diretores de uma rede de cinema pornô.

Calma lá!

Eu sei que isso aparentemente não tem como ser bom. Contudo, peço um pouco da paciência e insistência dos leitores para que cheguem ao fim da crítica e aí, sim, julguem se querem ver ou não essa obra-prima da weird fiction.

Max é um grande oportunista e vê nos satélites piratas a oportunidade de conseguir programas ao redor do mundo sem que tenha que pagar direitos autorais sobre eles. Em sua busca por relevância e inovação em seu nicho de mercado, ele acidentalmente descobre um programa chamado Videodrome. Diferente de tudo o que está acostumado, o Videodrome é um programa snuff, gênero criminoso do cinema pornô que envolve torturas e mortes reais dos atores. Max não consegue acreditar que aquilo realmente exista e luta entre a negação do realismo e a fascinação pelo mórbido.

Conforme o filme avança, Max começa a sofrer alucinações e a confundir o que acontece dentro da tela da TV e o que acontece fora, de tal sorte que o Real é moldado pelo que pode ser real. Max entra em um tornado de experiências e para compreender melhor o efeito do Videodrome entra em contato com o Dr. O’Blivion que apenas dá suas entrevistas por meio de uma tela de TV. Ele acredita que todos os relacionamentos serão substituídos pela projeção deles em muito breve.

E assim segue o filme até seu simbólico e incrível desdobramento final. Caso queira saber o fim, você pode assistir o filme no Netflix ou, se achar que não tem estômago, mas ainda assim ficou curioso(a), pode ler a história completa aqui no Wikipedia.

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Thiago Florestas, também conhecido como James Woods

Agora é a parte em que eu te convenço que essa maluquice é um filme bom.

Videodrome é um brilhante manifesto de como a mídia molda a realidade. E quando digo mídia não estou falando em um sentindo “Além do Cidadão Kane”. Mídia, nesse contexto, é tudo o que é a projeção da realidade. Televisão, internet, redes sociais, rádio… absolutamente tudo. A experiência de Max com o Videodrome o afeta tanto que aquilo que se passa na tela começa a alterar a realidade de quem assiste, prosseguindo com tamanha ferocidade até que o Videodrome se torna mais real do que a vida.

A genialidade disso é que o próprio filme de Cronenberg causa do espectador o efeito (sem contar as alucinações, por favor) que o programa snuff Videodrome causa em Max. No fim temos a impressão de que assistimos um filme de alguém vendo um filme. Talvez leve até a uma inception superior e nos faça questionar se nossa vida não é a projeção da realidade assistida em uma outra televisão.

Devaneios a parte, Videodrome é um excelente filme se você conseguir compreendê-lo. Caso não, torna-se apenas mais um filme bizarro e de péssimo gosto.

Abaixo você confere o trailer com os fantásticos efeitos especiais de 1983:

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Um comentário sobre “Videodrome (1983)

  1. Helder Nozima 16 de janeiro de 2015 / 13:30

    Cara, eu li a sinopse na Wikipedia, e esse enredo é mórbido demais. O_O

    Curtir

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