Anoitecer Violento (2010)

StakeL80

Minha crítica a filmes de horror, em especial os que envolvem criaturas clássicas como vampiros, sempre foi o sentimento quase inevitável e geral ao final do filme:

“Eu jamais morreria em um filme de horror!”

Em quase todas as minhas experiências com o gênero do horror eu vi personagens principais que simplesmente não agiam de maneira convincente. Eles falam alto em locais silenciosos, se arriscam (e morrem) por motivos extremamente fúteis, se perdem do grupo com uma facilidade absurda, escolhem apenas os caminhos errados e tantas outras decisões equivocadas. O sentimento de “Eu jamais morreria em um filme de horror” é um dos indexadores do que são os bons e péssimos filmes do gênero pra mim. Ele nos indica se o diretor e o roteirista se atentaram ao instinto de sobrevivência das vítimas quando filmaram.

Todos sabemos que o ser humano não se entrega com facilidade diante de um predador. Não apenas isso, conhecemos inúmeros casos de pessoas que desenvolveram uma força sobrehumana e realizaram atos que a ciência não explica para evitar a morte iminente. Desde sobrevivência em alto mar até mesmo casos inexplicáveis como superforça. Acreditem no que quiserem, eu não duvido de nada quando estamos falando de extinto de sobrevivência.

Então vem um diretor e coloca os personagens mais ingênuos, indefesos e apáticos para simplesmente gritarem, correrem e oferecerem ao espectador uma morte excêntrica. Isso, para mim, é um mau filme de terror. Quando penso em um bom filme do gênero, lembro de “Hellraiser” (1987) de Clive Barker, no qual a personagem principal honra o jeans que veste. Antes de continuar apenas gostaria de lembrar que “Anoitecer Violento” está mais para um filme de drama do que de horror, mas como estamos falando de vampiros e sustos, é inevitável que eu o julgue horror, ainda que bem água com açúcar.

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Bela Lugosi e seu olhar 43 das trevas

Martin (Connor Paolo) é salvo pelo enigmático Mister (Nick Damici) no momento em que sua família é assassinada por um vampiro em sua fazenda. Eles iniciam uma jornada para New Eden, uma região ao norte dos Estados Unidos onde há a esperança de uma vida pacífica.  Os EUA vivem uma espécie de apocalipse vampírico e quando falamos de vampiros não estamos dizendo no sentido Bela Lugosi e muito menos o horror-erotica de Anne Rice. Estamos falando de criaturas irracionais e sem a menor classe sedentas por sangue.

Trilha sonora ótima, fotografia boa, atuação medalha-de-ouro e direção não deixando nada a desejar. Só esses detalhes já seriam o suficientes para indicar o filme, mas, felizmente, ainda temos mais pontos a favor de “Anoitecer Violento”.

Em primeiro lugar ele não poupa os personagens. Na cena inicial vemos um vampiro sugando um bebê em uma fazenda e em todo o filme eles não poupam ninguém. Não estou dizendo que isso seja algo bonito de se ver, mas certamente é algo novo em filmes de vampiros. Quase sempre vemos barreiras morais no cinema para o que é considerado maldade. E eu compreendo, afinal, quase ninguém quer ir ao cinema ver gore. Por outro lado é muito bom ver que os vilões aqui realmente são vilões desprovidos de qualquer conceito de bondade ou maldade. A vida humana é menor do que a sede de sangue. Excelente (para o gênero).

Em segundo lugar,  Mister é uma junção do “homem-sem-nome” Clint Eastwood e do Grande Lebowski, Jeff Bridges. Um personagem silencioso e extremamente realista. Faz o que precisa ser feito, independente do que isso possa ser. A partir disso você já pode imaginar como é o personagem. Outro ponto positivo dele é que não há a ideia de que ele seja um caçador de vampiros ou algo do tipo. Ele é apenas um homem do qual ninguém sabe absolutamente nada, que de alguma forma conseguiu sobreviver em um mundo pós-apocalíptico de vampiros. Apenas um homem lutando pra ter paz. Uma fórmula antiga e muito usada em narrativas de filmes samurais como, por exemplo, os de Akira Kurosawa. O famoso ronin (samurai sem mestre) que vive vagando e procurando um local para viver.

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Poderia ser uma corrida de revezamento de tochas, mas não é.

E em terceiro lugar é que o filme tinha tudo para ser um banho de sangue sem fim, mas não é. Na verdade o diretor conseguiu a proeza de transformar um filme de vampiros em um drama do fim do mundo. Se quiser acompanhar o trabalho do diretor, o nome dele é Jim Mickle.

Uma verdadeira distopia com o melhor e o pior que a humanidade tem a oferecer.  Em meio a tantos Crepúsculos fico feliz em ver surgir um Anoitecer Violento.

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