Um convidado bem trapalhão (1968)

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Antes de começarmos a falar sobre comédia, precisamos decidir de qual tipo de comédia queremos (e iremos conseguir) rir. Infelizmente dos anos 90 pra cá, o gênero comédia se tornou, em sua esmagadora maioria, insosso. A comédia romântica, por exemplo, não é uma comédia real. É apenas um filho bastardo da pós-modernidade(1). O único exemplo da comédia pura que ainda respira, ainda que sofregamente, é a comédia de erros. Filmes desse tipo são aqueles em que os personagens são colocados em situações tragicômicas por um desfortúnio do destino.

Um bom exemplo atual é “Entrando numa fria” (2004) com Ben Stiller e Robert DeNiro. Nele vemos Ben Stiller tentando de tudo para agradar o sogro, mas tudo parece sair do controle. Um pouco antes (1983) tivemos o hilário “Férias Frustradas” com Chevy Chase. Mas lá nos longínquos anos 60, havia um brilhante diretor norte-americano chamado Blake Edwards. Devemos a este homem personagens como a Pantera-Cor-de-Rosa e Dick Vigarista. Ele foi um dos vanguardistas a introduzir elementos pop na sociedade dos anos 60 por meio do cinema.

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Nessa festa não toca banda Malta!

Assim como outros diretores, Blake tinha suas manias e predileções em relação a escolha de elenco. Vemos isso presente, por exemplo, na relação entre o diretor Tim Burton e o ator Jhonny Depp. Vemos também na relação entre Alfred Hitchcock e James Stewart. Entre Woody Allen e ele mesmo. Brincadeira (mais ou menos)De qualquer forma, havia uma relação próxima entre Blake Edwards e o talentoso ator Peter Sellers. Edwards fez várias comédias louváveis e é provável que eu venha a falar de muitas delas no futuro. Vamos começar, porém, com “The Party”, ou em sua tradução infeliz, “Um convidado bem trabalhão” de 1968.

Estrelado por Sellers (o inspetor Clouseau da “Pantera-cor-de-rosa”), o filme conta a história do figurante indiano Hrundi V. Bakshi (Peter Sellers) tentando a vida como ator em Hollywood. Em uma série de coincidências, Hrundi acaba sendo convidado por engano para a festa do dono do estúdio (que acabou de demiti-lo sem nunca tê-lo visto). Edwards não poupa esforços em transformar nosso Hrundi em um verdadeiro Roberto Bolaños desastrado. Na verdade é possível ver a influência da comédia de Edwards e Sellers em vários capítulos de Chaves e Chapolin. A influência sobre Bolaños é evidente.

Filme maravilhosamente dirigido e trilha sonora incrível por ninguém menos do que o mestre dos mestres Henry Mancini. Dê uma chance a esse filme hilário e morra de rir com uma comédia (acredite se quiser) sem cenas de sexo, sem palavrões e sem Seth Rogen.

Abaixo você confere o trailer:


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OBSERVAÇÃO:

(1) Comédia-romântica:  Apesar de considerar a comédia-romântica uma filha bastarda da pós-modernidade, isso não significa que seja um gênero menor em importância. Vários filmes maravilhosos se encontram nesse gênero (“Mensagem para você”, 1998, por exemplo). Apenas não o considero comédia em seu sentido mais puro. Apenas isso.

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