O Sinal (2014)

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Ontem tive a oportunidade de assistir “O Sinal”, filme de 2014 dirigido pelo relativamente novato William Eubank. Estrelado por Brenton Thwaites (Malévola, 2014), o longa conta a história de Nic (Brenton Thwaites) e seu amigo Jonah (Beau Knapp) que são acusados injustamente de terem hackeado o sistema central do MIT. O hacker responsável, Nomad, passa a persegui-los virtualmente e eles decidem rastrear seu sinal para encontrá-lo pessoalmente e lhe “dar uma lição”.

Ao chegarem no local, descobrimos que é uma casa abandonada no meio do deserto. Temos então uma sequência a la “Bruxa de Blair” com câmera digital na mão. Um grande corre-pra-lá-e-pra-cá acontece e Nic então acorda dopado em uma espécie de complexo laboratorial. Lá ele conhece o Dr. Damon (Laurence Fishburne) que explica que na verdade eles estavam rastreando um sinal alienígena e por isso ele deverá ficar sob observação ad aeternum.

Até agora um filmaço. O clima do laboratório lembra um pouco o do sensacional “Enigma de Andrômeda” (1971), baseado em um romance de Michael Crichton. As semelhanças, infelizmente, terminam aí. A fotografia de “O Sinal”, diferentemente de “Andromeda”, nos remete invariavelmente a comerciais da Nike com a luz estourando e aquela coloração bem Instagram. Não é esteticamente feio, mas gera a desconfortável sensação de que o filme foi dirigido por um escritório de publicidade.

21 - Laurence Fishburne and Jack McGee
“Depois de assistir se joga dali. Dali!”

Outro equívoco é o de constantemente usar o slow-motion(1) como impulsionador emocional. Aquele tipo de câmera que só é usada se uma trilha extradiegética(2) piano-violoncelo-eletrônica estiver tocando ao fundo. O resultado alcança seu objetivo inicial, mas dá aos olhos minimamente treinados a clara impressão de um comercial de video-game. Aquele velho camera porn que só serve pra você ficar deslumbrado com a definição alcançada pela filmagem.

Contudo, pessoalmente creio que o maior erro de Eubank foi o de deixar pontas soltas na narrativa. Até o último terço do filme o espectador participa de uma experiência muito semelhante a que tivemos nas três primeiras temporadas de LOST. Nos questionamos “o que diacho está acontecendo aqui?” o tempo todo e gostamos dessa sensação de tatear no escuro e procurar captar os sinais subliminares da trama. Em “O Sinal” há um momento em que você percebe com clareza que não há mais tempo restante de filme suficiente a lhe responder as perguntas que você tem. A consequência é que o diretor deixa o posto de brilhante e ocupa o de enrolão.

Quando o filme termina você percebe que se as informações supérfluas (e inúteis) fossem cortadas do longa, ele poderia facilmente ser um curta-metragem de quinze minutos. É uma pena que algo tão visualmente agradável tenha caído na vala do filmicamente descartável. ‘O Sinal” é aquele filme pra você assistir para apenas se não tiver internet. Caso tenha, procure “O Enigma de Andrômeda” (1971). Esse pelo menos é bom.

Abaixo você confere o trailer. Se conseguir ver até o final, não precisa nem assistir o filme.

—-

GLOSSÁRIO:

(1) Slow-Motion: a famosa câmera lenta imortalizada por Keanu Reeves ao desviar de tiros em Matrix.

(2) Música Diegética e Extradiegética: A Música Diegética é aquela que faz parte do universo do filme. Por exemplo, quando um personagem está tocando piano e cantando na cena. A Extradiegética, por outro lado, é a mais comum: a trilha sonora que toca com o objetivo exclusivo de ser ouvida pelo espectador e não pelo personagem.

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