Jonze, Meirelles e o que (raios) nós fizemos do amor

im-here

De tempos em tempos surge um diretor (ou uma diretora) pra fazer com que a gente repense um pouco os caminhos que o cinema está tomando. De duas, uma:

1) ele é idolatrado como um diretor cult;

2) é apedrejado em praça pública por todos.

Às vezes, porém, as duas coisas acontecem e Spike Jonze é um deles. Entre várias direções para artistas do mercado fonográfico (Bjork, REM, Chemical Brothers etc), dirigiu o alternativo “Quero ser John Malkovich” (1999) e atualmente o emocionante (e reverenciado) “Ela” (2013). Você confere o clipe de “Crush With Eyeliner“, dirigido por Jonze em meados de 2006 para a banda REM, clicando aqui.

Patrocinado pela Vodka Absolut, I’m Here é um curta-metragem (que está mais pra média-metragem) que narra a história de dois robôs que se apaixonam em Los Angeles. Ele é um bibliotecário sistemático e ela uma fã de uma música indie. Basicamente Jonze questiona “até que ponto você vai ficar com ela?”. Direção impecável e trilha sonora maravilhosa, o curta é um obrigatório a todos os que desejam compreender a linguagem de Jonze. Abaixo você pode assisti-lo.


Algo interessante do cinema de Jonze é que, se pararmos para pensar, todos os seus filmes transitam em torno do mesmo tema. Em todos eles Jonze nos mostra como o fator humano distorce a noção do amor puro. Em nossas fragilidades acrescentamos vícios e pecados que distorcem completamente nossa noção de amor. Jogamos uma pitada generosa de modernidade líquida(1) nessa bebida forte e com ela cambaleamos até o abismo do orgulho auto-destrutivo.

Jonze, felizmente, sempre nos mostra o que a relativização moral dos nossos tempos “modernos” causa em nossas relações interpessoais. Vemos uma crescente corrente de diretores abraçando a pós-modernidade com unhas e dentes, defendendo sua ação benéfica na vida do Homem. Um exemplo recente é a minissérie dirigida por Fernando Meirelles, “Felizes para Sempre” (2015). Nela o amor é ressignificado pelo próprio conceito de fidelidade que é relativizado. A prostituição passa a salvar um casamento em vez de acabar com ele. É algo que funciona no cinema e no cinema apenas.

Se desejarmos, podemos lutar o quanto quisermos para ver o mundo de forma diferente. Podemos ressignificar  o Homem, por que não? Podemos até mesmo reescrever nossas regras para o amor.

Contudo, assim sendo, o mundo continuará imerso no mal, a vida continuará maculada por nossas decisões equivocadas e o coração do Homem continuará com um vazio do tamanho de uma eternidade impressa pelo próprio Deus(2).

——

(1) Modernidade Líquida: ninguém melhor para te explicar o que é isso do que quem criou o termo. Com vocês, Zygmunt Bauman.

(2) Palavras do rei israelita Salomão em seu livro “Eclesiastes”, capítulo 3, versículo 11.

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