Alphaville e quem nos tornamos no Amor

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Alphaville é uma ficção científica dentro da Nouvelle Vague. Dirigida pelo célebre Jean Luc Godard, faz-se necessário que eu explique um pouco da história antes de continuar. A trama retrata a viagem do agente secreto Lemmy Caution (Eddie Constantine) a Alphaville para investigar mortes de outros agentes que foram antes dele. Alphaville é um planeta que é governado pela inteligência artificial Alpha 60. De alguma forma Alpha 60 está ligada às misteriosas mortes na cidade. Chegando em Alphaville, sua missão é encontrar e eliminar um dos criadores do Alpha 60. Nesse meio tempo ele se apaixona pela filha do cientista (Anna Karina) e então descobre que aquele mundo vive a ditadura da razão. E aí as coisas se complicam.

Godard não nos oferece um cinema mastigado e digerível como seus colegas de trabalho americanos. Muito pelo contrário, seu objetivo na Nouvelle Vague era justamente caminhar na contra-mão da escola de hollywood e ser capaz de propor uma visão diferente e mais pura do significado no cinema. A Nouvelle Vague (Nova Onda) surgiu logo após  a segunda grande guerra e seu foco maior era a realidade poética no cinema francês.  Junto com François Truffaut e outros nomes mais, Jean Luc Godard foi e é um mito do cinema.
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Apesar de Alphaville ser uma ficção científica, o apelo à importância do poético na existência humana é fortíssimo. A ditadura da razão é a causa do desaparecimento de palavras e termos  todos os dias. Chorar é proibido. Ser ilógico é um crime. Godard percorre a vigente permissividade resultante dos anos de sofrimento da segunda guerra mundial. Tal permissividade era fruto de uma negação aos valores que outrora foram cruciais para o crescimento intelectual na Europa. O Iluminismo bradou sua razão e ciências diante da chamada Era das trevas. Um grito de liberdade e libertinagem em relação ao poderio da religião (e sobretudo da Igreja Católica) sobre a vida do indivíduo. Contudo, com o fim da guerra e novos questionamentos metafísicos sobre origem do mal surgindo ao cidadão comum, o senso de urgência da vida se tornou mais evidente do que nunca. Ouvir a própria intuição talvez não lhes fizesse mais sentido do que perscrutar os caminhos da lógica e da mente humana, mas certamente lhes dava maior prazer e o contentamento de que não morreriam curiosos.

Cinquenta anos se passaram, mas tais valores ainda ecoam nas juventudes contemporâneas. Princípios como “Siga o seu coração” estão presentes na maioria das ações de marketing dessa era líquida. Cabe a nós como agentes passivos do cinema nos questionarmos se não urge o tempo em que devemos, finalmente, buscar um ponto de vista equilibrado e alimentarmos de maneira saudável os cães raivosos Mente e Coração.

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