A Boy and His Dog (1975)

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Há alguns anos ganhei de aniversário um livro artístico de posteres de filmes de ficção científica. Muitos dos filmes que assisti nesses anos todos estão contidos ali. Bem ou mal, muitos deles eu fui deixando para depois. Esse é um. Semana passada me veio na timeline um artigo da Grindhouse (esse aqui) falando sobre os clássicos cults do wasteland. Se tratava de uma lista de bons filmes mais ou menos na pegada do primeiro Mad Max: deserto, vandalismo como lei e situações extremas. Adivinhem quem estava lá? Ele mesmo. Resolvi dar uma chance e garanto, é um filme com apenas três defeitos. 

A Boy and His Dog conta a história de Vic (o fabuloso Don Johnson), um andarilho pelo deserto do que restou depois da Quarta Guerra Mundial, e Blood, seu fiel cão. Logo no início do filme somos assaltados pela ousadia do enredo. Ouvimos uma voz de radialista de guerra sarcástico e Vic dialogando com ela. Você não quer acreditar que se trata disso, mas acaba se rendendo. Sim, Vic se comunica com seu cachorro por telepatia. Como isso é possível nem o filme explica. Apesar dessa premissa nada convencional, a relação entre o garoto e seu cachorro não é o mais estranho da película. Juntos eles estão a procura de Over the Hills, um local paradisíaco e mítico onde nascem árvores frutíferas e as pessoas tem uma vida normal com famílias e tudo o mais.

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A sociedade basicamente é dividida entre os Solos – os que tentam a vida fora de uma comunidade organizada, na superfície desértica – e os Down Under – que vivem em uma sociedade americana conservadora à lá 1931 no subterrâneo do deserto. O mundo no deserto vive uma quase extinção de mulheres o mais comum são gangues de estupradores caçando fêmeas da espécie. Devo confessar que esse é um ponto bem revoltante da história, porque o próprio Vic se identifica com esse propósito hediondo. Graças a Deus isso é apenas uma ficção.

Vic encontra uma garota que o leva a Down Under e lá ele passa por todo o tipo de experiências quase mortais. O fim do filme não posso contar, mas garanto é uma hora e meia que não são desperdiçadas na vida. Vale a pena ver até o fim. O filme, contudo, possui três defeitos que incomodam um pouco os olhos mais treinados.

  1. A trilha sonora não é imersiva o suficiente. Esse é o tipo de filme que merecia uma sonoridade à altura de uma história épica. Veja Westworld (1973), por exemplo.
  2. Muitos detalhes ricos do enredo não são explorados com riqueza. Muitos pontos ficam em aberto e você talvez termine o filme querendo saber um pouco mais desse ou daquele personagem secundário. É algo que incomoda mesmo;
  3. Por conta do ponto anterior, é impossível não achar o filme pequeno demais. No fim dá a impressão de que é uma história que merecia o tempo de uma trilogia.

Apesar desses três pontos, A Boy and His Dog é um filme divertido. Não é nenhuma crítica inteligente à sociedade, mas um filme divertido e com uma estética bem ousada até para os dias atuais. Não se engane pelos maltrapilhos e pelo deserto. A semelhança com Mad Max termina aí.

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